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Islamismo: violência sob a máscara da religião?

maio 18, 2010

O islamismo é ao mesmo tempo uma fé religiosa e uma comunidade sócio-política. Ao discutir uma possível leitura que associa violência ao Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos, autores como Halft e Jacobs argumentam que o problema reside no fato de que o

sentido originalmente dirigido a uma sociedade tribal que habitava o deserto da Arábia há 1400 anos, não pode ser entendido facilmente, digamos, por um muçulmano de Berlim do século XXI

Realmente, é possível que se faça uma leitura fundamentalista do Alcorão, mas esse não é o correto modo de interpretá-lo. É neste sentido que os autores acima referenciados conferem importância à hermenêutica, termo que essencialmente significa interpretação, explicação (de escrituras sagradas), e à exegese, interpretação gramatical e histórica. Logo, é crucial que se faça uma contextualização do texto do Alcorão para a vida contemporânea.

A leitura que incita atos violentos aproxima-se do fanatismo, que está na maioria das vezes escamoteando propósitos terroristas. Terrorismo entendido como a ‘ameaça e o uso ilegal da força’, nas palavras de Michael Stohl e Noam Chomsky. A violência é usada como uma ferramenta. Atitude que por inúmeras vezes é niilista, ou seja, em que não há base ideológica, social ou objetivos concretos.

O Islã carrega PAZ no nome e a ESPADA na mão. Para os que se deparam com notícias em que mulheres são privadas de uma série de direitos, incluído aí a obrigação de usar o véu (xador) e a proibição de dirigir, soa pouco plausível não associar a religião islâmica à violência e à intolerância. É relevante, portanto, mencionar que nem todos os países e muçulmanos, como denominam-se os seguidores do Islã, se comportam de uma mesma maneira.

Os sunitas, que correspondem a 85% dos muçulmanos, vêem o suicídio como desrespeito à criação de Allah, deus em árabe. Contudo, é na vertente xiita que encontra-se com mais facilidade a disposição para o auto-sacrifício (o suicídio) e, por vezes, o mártir se transforma em herói. É impossível discutir o Islamismo sem fazer referência mínima às diferenças entre os sunitas e a versão extremista do Islã.

Sob esta perspectiva, vale sublinhar, se torna ainda mais evidente o papel da hermenêutica, a qual deve ser conduzida levando em consideração as tradições e a Suna (preceitos baseados nos hadith, os ditos e feitos de Maomé).

O Alcorão, como qualquer outro texto, pode ser interpretado com ambiguidade. Porém, quando há interpretação adequada, ressalta-se que nele estão presentes os direitos e deveres dos homens, seus ensinamentos são a justiça, a bondade e a generosidade entre as pessoas e, como bem lembram Halft e Jacobs, “Deus sabe melhor”.

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