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The Agency-Structure Problem in Foreign Policy Analysis

agosto 18, 2009

(por Leticia Simões)

O ponto inicial do artigo de Walter Carlsnaes está no argumento de que diferentemente da Política Internacional, como vimos com Wendt, as escolas de Política Externa utilizam-se pouco das implicações da questão agente-estrutura nas ciências sociais. Em sua análise, fazendo uma ponte com Wendt, Carlsnaes afirma que pessoas e estruturas sociais são entidades inter-relacionadas, e que o problema de agente estrutura tem aspectos estritamente ontológico e amplamente epistemológico, mas que o mais importante disto é enxergar agente e estrutura não como níveis de análise, mas a relação entre eles.

O autor deixa claro que também não escolhe um nível de análise, trabalhando com ambos, e que ontologicamente falando dá status igual a agente e estrutura já que não acredita na importância dos níveis, preza a interação entre eles. Wendt também escolhe mostrar duas abordagens, o racionalismo e o coletivismo, que tentam explicar a questão de agente estrutura na política externa, mas que são insuficientes para tal. O problema destas abordagens é que ambas percebem apenas ações individuais sem conseguir alcançar o todo.

Para resolver o problema de agente estrutura na construção de Política Externa, o autor une o individual e o coletivo em um único para não mais precisar de duas prescrições para explicar um mesmo fenômeno. Para exemplificar sua intenção, o autor desenvolve um “framework” que contem suas principais idéias para a construção de política externa com a idéia de agente estrutura co-constituídos.

Em primeiro lugar ele cria três dimensões básicas para analisar política externa: a estrutural, a disposicional, e a intencional e partir delas monta seu “framework” com três dimensões distintas, a primeira e maior como o próprio nome já diz traz elementos externos para o “framework” que seriam as Condições Objetivas do meio e os Arranjos Institucionais. Esta dimensão está ligada à segunda com uma relação de causalidade, e esta segunda dimensão que está inserida na primeira, é híbrida e possui elementos da estrutura e do agente: seriam elas as percepções externas e os valores internos do Estado. Percepções e valores também estão ligados a última dimensão inserida na segunda, que representa a esfera do agente possuindo em sua composição as escolhas e preferências do agente.

Todo este sistema é responsável pela construção da ação de política externa daquele Estado, que tem influências externas e internas, ou seja, que acolhe agente e estrutura para prescrever um só fenômeno. Então, utilizando este “framework” ligado a um outro “framework” semelhante a partir da política externa de um e das dimensões estrutural e disposicional do outro, mostrando uma causalidade circular no processo de política externa sob a perspectiva de agente estrutura. As percepções e valores estariam causando as escolhas e as preferências do agente, que daria então origem a política externa que surgiria como a semente para causar uma outra política externa de um outro Estado.

Contudo, o que não parece claro na literatura de Carlsnaes, que expõe muito bem seu argumento a partir da confecção do “framework” que resolve o problema de agente estrutura na ação de política externa mostrando que o processo é cíclico, é o papel dos valores dentro da dimensão híbrida do conjunto.

Uma questão que fica no ar dentro do pensamento de Carlsnaes seria o papel e a formação dos valores em sua argumentação. Estes valores que são internos e intrínsecos ao nacional não sofreriam nenhuma influência causal do externo? Os valores nacionais de um país não mudam com o passar dos anos e com a influência das percepções externas sobre o Estado? Este seria o ponto deixado em aberto por Carlsnaes em sua teoria talvez por precisar fazer uma dimensão de passagem entre estrutura e agente em seu “framework” e por isso atribuir aos valores um aspecto intrínseco do nacional sem levar em consideração a influência que as percepções externas poderiam ter sobre estes valores, mudando as percepções que o agente tem de si mesmo por mínimas que fossem as mudanças.

Carlsnaes consegue atingir o objetivo que se propõe no início de seu artigo, e resolve o problema de agente estrutura em política externa explicando-a através de uma só prescrição muito mais co-causada que co-constitutiva, cíclica e fechada da questão agente estrutura.

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