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Entenda a Sociedade Anárquica de Hedley Bull

outubro 10, 2008

por Douglas Armendone

Dizer que as coisas estão em ordem é afirmar que elas estão relacionadas entre si de acordo com uma certa estrutura; que a sua relação recíproca não é fruto meramente casual, mas contém algum princípio discernível. É o caso de uma fileira de livros em uma estante.

A ordem que se procura na vida social é um arranjo que promova metas e valores, servindo assim a um objetivo. Ordem é necessariamente um conceito relativo, ou seja, um conceito relacional.

anarchy or chaos?

Todas as sociedades têm objetivos gerais quaisquer que sejam as suas metas particulares. O primeiro é a garantia da vida (sobrevivência); o segundo é a verdade (garantia de que as promessas sejam cumpridas); e o último é a estabilidade da posse (propriedade). Assim, na vida social a ordem é um padrão de atividade humana que sustenta os seus objetivos elementares, primários ou universais.

A ordem internacional refere-se a um padrão ou disposição das atividades internacionais que sustentam os objetivos elementares. Esses objetivos são, em primeiro lugar, a preservação do próprio sistema e da sociedade de Estados. Em segundo, o objetivo de manter a independência ou a soberania externa dos Estados individuais. Em terceiro lugar está objetivo de manutenção da paz. E em quarto lugar estão os objetivos comuns a toda vida social: vida, verdade e propriedade.

Bull afirma que a ordem mundial é diferente da ordem internacional. A ordem mundial é mais ampla que a ordem internacional porque para que se faça sua descrição é necessário que se trate não só da ordem entre os Estados, mas também da ordem em escala interna ou local existente dentro de cada Estado. A ordem mundial precede moralmente a ordem internacional.

more chaos...Sustenta-se, em geral, que a existência da sociedade internacional é desmentida em razão da anarquia. Esse argumento não se sustenta porque mesmo na ausência de governo pode haver uma certa ordem. O Estado é único, e uma de suas particularidades é que garante a possibilidade de formarem uma sociedade sem governo.

As tradições hobbesiana (realista), Kantiana (universalista) e a grociana (internacionalista) competem entre si. Cada um desses modelos tradicionais incorpora uma descrição da natureza da política internacional e um conjunto de prescrições sobre a conduta dos Estados.

A chamada tradição grociana coloca-se entre o realismo de Hobbes e o idealismo de Kant. Ela aposta na possibilidade de cooperação e não na guerra sem tréguas ou na paz perpétua. Acredita em coordenação, ou seja, a partilha de interesses e valores comuns entre os Estados. É uma mescla de conflito e cooperação, advinda da possibilidade de canalizar interesses que nem sempre se excluem.

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3 comentários

  1. Muito boa a síntese da obra.


  2. Objetiva e esclarecedora !


  3. Obrigado pelos comentários!



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