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Taking Preferences Seriously: A Liberal Theory of International Politics

Maio 29, 2009

(por Leticia Simões)

O artigo de Andrew Moravcsik traz em seu título a idéia principal que tratará no texto: a defesa da Teoria liberal sem utopias ou ideologias, para explicar empiricamente as relações entre Estado e sociedade. O autor trata da Teoria Liberal como ponto de partida para estudar a Política Internacional, tendo como objetivo mostrar que esta pode ter de fato implicações empíricas e metodológicas e que segundo Moravcsik, seria uma alternativa pragmática às teorias mais utilizadas em Relações Internacionais: realismo e institucionalismo.

Para tratar da Teoria Liberal como uma teoria positiva para as Relações Internacionais, o autor parte do princípio que as preferências do Estado, e a maneira como estão configuradas internamente são centrais para entender a posição deste na Política Internacional. As instituições são, em grande parte, responsáveis por moldar as preferências do Estado que não são explicadas fora do contexto social doméstico e as relações transnacionais as quais o Estado sofre e promove. Tais afirmações nos permitem perceber que o autor escolhe abrir a caixa preta do Estado para identificar as características internas do mesmo para então seguir traçando sua teoria. Moravcsik escolhe o nível de análise que busca estudar e analisar os atores internos de um Estado, sendo este o nível estatal burocrático.

A premissa fundamental da Teoria Liberal de Relações Internacionais parte do ponto que afirma que a relação social interna além das relações transnacionais do Estado influenciam e moldam suas preferências. E com o intuito de dar continuidade a construção de sua argumentação, o autor utiliza-se de três hipóteses centrais da Teoria Liberal de Relações Internacionais as quais chama de ‘assumptions’ que depois darão forma a três derivantes da Teoria Liberal.

A primeira das hipóteses teóricas é a da Primazia dos Atores Sociais e é nesta primeira hipótese que o autor demonstra que abre a caixa preta do Estado para apontar que este não é um ator único e fechado e que é formado por diversos outros atores internos, indicando uma pluralidade Estatal. É ainda neste recorte que o autor afirma que não há uma harmonia dentro do Estado, ou um sentimento nacional único que seja capaz de homogeneizar todas as demandas internas. Na verdade o ambiente interno é um ambiente de disputa política e de interesses constante.

Para falar internamente do Estado, entrando na segunda hipótese teórica, a da Representação e Preferências do Estado, é importante ressaltar a figura do governo, que para Moravcsik seria formado por diversos atores internos que buscam seus interesses conforme o sabor da maré. Não haveria um interesse nacional de fato, este seria na verdade o interesse de um grupo que chega ao poder e que pode exercer sua vontade, o que o autor chama de ‘rent seeking’.

Por ser uma instituição representativa, que pode mudar constantemente, principalmente no caso da democracia, o Estado está sujeito a diversas modificações de preferências, uma vez que o grupo no poder, e os grupos que o influenciam podem mudar com a eleição de um novo representante. Contudo, isto não quer dizer que deixe de haver uma disputa para apontar diversos interesses como a preferência Estatal.

Por tais motivos o autor destaca os atores sociais como importantes para definir as preferências do Estado como um todo, uma vez que estas preferências precisam primeiro passar pelo funil da disputa doméstica, e aí está o destaque à Representação do Estado, para assim tornar-se ‘a’ preferência daquele Estado.

Por fim, a terceira hipótese do autor é a de Interdependência e Sistema Internacional. Como já citado anteriormente, Moravcsik afirma que a preferência do Estado é moldada por seus atores internos, mas não só por eles. É importante citar o Sistema Internacional e a interdependência dos Estados como fator para definir a preferência do Estado, uma vez que em um sistema de interdependência as preferências e externalidades de um outro Estado irão interferir nas preferências e no comportamento deste Estado. Há, além disso, um esforço de cada Estado de demonstrar a sua preferência, externamente para todos os demais, o que pode ser considerado como uma externalidade que afetará de alguma forma a preferência de Estados com menor poder relativo.

O que percebemos nesta terceira hipótese teórica é que o mesmo processo de disputa que ocorre no nível doméstico ocorre também no nível internacional e que quanto maior poder relativo tem um Estado mais facilmente ele poderá, externamente, demonstrar sua preferência que será acatada pelos Estados com menos poder relativo. Mas mais que isso, é possível estabelecer uma relação de causalidade bem como de constituição entre os níveis doméstico e global; sobre a preferência do Estado é possível dizer que ela causa o doméstico, da mesma forma que é possível dizer que o ato de um país relativamente mais poderoso demonstrar primeiro sua preferência Estatal, causa em um Estado menor uma possível adaptação de sua preferência. Além disso, podemos concluir que o doméstico constitui o internacional da mesma forma que o internacional constitui o doméstico, uma vez que sem esta relação de causalidade as constituições de ambos os níveis seriam diferentes ou nem mesmo existiriam. Moravcsik também chega a tais conclusões e a partir delas fala de um Liberalismo como Teoria Sistêmica.

Variantes das três hipóteses teóricas básicas da Teoria Liberal de Relações Internacionais estão: o liberalismo ideacional, o liberalismo republicano e o liberalismo comercial e cada uma delas está relacionada com as demandas Estatais intrínsecas às hipóteses teóricas. O liberalismo ideacional está ligado à identidade e a ordem social e faz menção a primeira hipótese quando fala da importância das identidades sociais domésticas como determinante para moldar as preferências do Estado. O liberalismo republicano, ligado a segunda hipótese teórica, se refere à representação e ao “aluguel” do Estado para buscar os interesses dos grupos no poder. Por fim, o liberalismo comercial vai estar ligado a terceira hipótese teórica que vai esclarecer que o Estado vai agir também de acordo com os incentivos do mercado para os diversos Estados, sabendo que as preferências destes nem sempre são convergentes, mas que se adaptam de acordo com as demandas do mercado.

Finalmente, Moravcsik afirma que a Teoria Liberal pode ter implicações mais amplas mesmo em situações adversas como quando há poucos Estados liberais uma vez que a teoria pode explicar a variação da política externa de um Estado apontando o processo de disputa interna para definir preferências, além de poder apontar a troca da representação política; e poder ainda explicar a mudança histórica no sistema internacional falando novamente do processo de barganha que pode alterar o comportamento do Estado no sistema, entre outros casos.

Contudo, o autor não conta que com um grande número de Estados não-liberais e provavelmente ditatoriais ou de regime fechado, embora ainda seja possível aplicar a teoria liberal, uma vez que vai sempre existir um grupo dominante que define a preferência do Estado, a disputa e barganha que em Estados liberais ocorre de maneira mais livre e plural será reduzida drasticamente, correndo o risco desta ficar apenas dentro daquela pequena elite que está no poder, e que poderá se perpetuar naquela posição por muitas décadas. Ainda assim a aplicação da Teoria é garantida e se mostra eficaz nestas circunstâncias.

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Uma Teoria Realista da Política Internacional

Setembro 19, 2008

- A LUTA PELO PODER: A Política do Status Quo

- A LUTA PELO PODER: O Imperialismo

- A LUTA PELO PODER: Política de Prestígio

 Caracteriza-se por uma natureza empírica e pragmática, a prova pela qual a Teoria Realista da política internacional deve passar. O propósito é trazer ordem e sentido para uma massa de fenômenos que, sem ela, permaneceriam desconexos e incompreensíveis.

Entre princípios vários, o realismo político acredita que a política é governada por leis objetivas que deitam suas raízes na natureza humana. O principal conceito é que o interesse é definido em termos de poder e que esse princípio constitui uma categoria objetiva que é universalmente válida; é consciente da significação moral da ação política; não considera aspirações morais isoladas como leis morais que controlam o universo. É assim, portanto, que têm uma atitude singular, intelectual e moral, com matérias ligadas à política.

 

 A política do status quo visa a manutenção da distribuição de poder que existe em um determinado momento particular na história. Entretanto, isso não significa que essa política seja necessariamente oposta a qualquer mudança que seja. Pequenos ajustes que deixem intactas as relativas posições de poder são perfeitamente compatíveis. Entende-se que na política de status quo não se pode criar um  novo cenário de atuação para os atores, ou seja, é como um filme onde por mais que haja modificações no roteiro, o protagonista continua sendo sempre o mesmo, está claro o seu papel diferenciado daquele realizado pelo coadjuvante.

  

O termo imperialismo é usado indiscriminadamente a todo tempo, sem levar em consideração outro fato que não seja a visão do usuário do termo. O vocábulo vem perdendo significado e cabe ao analista a restituição da significação eticamente neutra, objetiva e definível. É imperialismo o contraste com a política do status quo. A política externa imperialista visa a demolição do status quo.

Teorias econômicas do imperialismo ocultaram sua verdadeira natureza. A teoria marxista reduz todos os problemas políticos como o reflexo de forças econômicas. Na perspectiva marxista o capitalismo é o pior dos males. A Escola liberal, por sua vez, afirma que a raiz do imperialismo está no excesso de mercadorias e capitais que buscam saída em mercados estrangeiros. A teoria ‘diabólica’, apoiada por pacifistas e marca registrada da propaganda consumista, aponta que os que lucram com a guerra se transformam em ‘vendedores de guerra’, são capitalistas perversos somente interessados no ganho particular. Tais teorias, entretanto, perdem sentido quando se entende que, para os capitalistas, está claro o fato de que a guerra não compensa, pois ela traz consigo uma irracionalidade que é estranha à natureza do capitalismo.

O imperialismo pode sr estimulado por uma guerra vitoriosa, por uma guerra perdida (gerado como uma reação ao imperialismo bem sucedido de outros), ou por fraqueza (o vácuo de poder atrai e daí, caracteriza-se como ameaça potencial à sobrevivência de Estados fracos ou de espaços politicamente vazios).

O imperialismo tem como objetivo o domínio de todo o globo politicamente organizado (império mundial); preponderância de poder estritamente localizada (preponderância local); ou domínio limitado geograficamente (império continental).

Os métodos utilizados podem ser diferenciados entre militar, econômico ou cultural. O fim em si é sempre a derrubada do status quo, isto é, a reversão das relações de poder entre a nação imperialista e suas vitimas em potencial.

Para combater uma política imperialista temos a política de contenção que ergue uma parede como quem diz: “-Somente até aqui e nenhum passo a mais!”; o apaziguamento representa uma forma corrompida de política de acomodação (toma lá, dá cá); e a política de temor, onde a partir de um erro inicial nasce um circulo vicioso: o receio mútuo instiga a adoção de uma corrida armamentista, o receio de um lado alimenta o medo do outro, no fim, tem-se a impressão de que era correta a suposição original por evidência empírica.

A identificação de uma política imperialista é um grande problema. Pode-se supor que há imperialismo onde ele nem existe, e também pode acontecer de uma certa política transformar-se em imperialista. Ainda que se identifique a política imperialista, a modalidade em que se apresenta também necessita  ser estipulada para que haja uma contra-política adequada.

Esta claro como é difícil distinguir entre a aparência de uma política externa e sua essência real.

 

 A política de prestígio, em contraste com as atividades de manutenção e aquisição de poder, só muito raramente constitui um fim em si mesma. Sua importância na relação entre as nações é semelhante ao que o prestígio representa nas relações entre os indivíduos

Na luta pela existência e pelo poder, o que os outros pensam sobre nós se torna tão importante quanto o que somos na realidade. O propósito da política de prestígio é convencer outras nações do poder que seu país realmente possui, ou que ele acredita (ou deseja) que as demais nações suponham que ele detém.

Os instrumentos específicos que servem a esse propósito são o cerimonial diplomático e a exibição de força militar. O prestigio (reputação de dispor de poder) é ora empregado como meio de dissuasão, ora como instrumento para a guerra.

A função primária dessa política consiste no poder que tem de influenciar avaliações. Constitui, portanto, um elemento indispensável em uma política exterior que se queira racional. A política de blefe tem êxito a curto-prazo. Ela poder ser usada por necessidade, mas a nação que a usa deve exercitar-se a fim de adequar-se dentro da imagem que divulgou.

Demonstrar ao resto do mundo o poder efetivo que uma nação possui, sem revelá-lo demais ou de menos, é a missão que compete a uma política de prestígio criteriosamente concebida.

Hans Morgenthau diferencia, teoriza e delimita os caminhos que um analista de relações internacionais deve seguir e trilhar. Encontrei nesses textos argumentos fortes e a segurança que outros autores não alcançam com distinta facilidade e clareza.

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Utopia e Realidade

Setembro 16, 2008

A balança de equilíbrio entre utópicos e realistas está em constante movimento. Diferença notável entre um e outro grupo é que o primeiro acredita ser capaz de mudar a realidade por intermédio da sua vontade, ele acredita, portanto, em livre arbítrio. O realista tem uma visão determinista da realidade, não acredita ter capacidade para modifica-la. O utópico está ligado ao futuro; e enraizado ao passado encontramos os realistas. Vícios característicos de cada um: para o idealista a ingenuidade e para o realista a esterilidade.
É importante ter em mente a necessidade de estabelecer o equilíbrio entre utopia e realidade para que toda ação e pensamento humano sejam sadios. Nesse mesmo ritmo, temos de considerar como uma política científica sensata, aquela que está baseada no reconhecimento da interdependência da teoria e da prática, esta, aliás, só pode ser alcançada por meio da combinação de utopia e realidade.
Utopia e realidade também reproduzem a antítese entre radical e conservador, além daquela entre teoria e prática, acima mencionada. O que caracteriza esse ponto é que o radical é necessariamente utópico, e o conservador, realista. Outra diferença latente entre eles é que o utópico estabelece um padrão ético que proclama ser independente da política, e procura fazer com que a política adapte-se a ele. O realista não pode aceitar logicamente nenhum valor padrão, exceto o dos fatos, assim, ele alcança isto através da presunção de que não existe outro bem que não a aceitação e a compreensão da realidade.
Estamos diante de uma “eterna disputa, entre os que imaginam o mundo de modo a adaptá-lo a sua política, e os que elaboram sua política de modo a adaptá-la às realidades do mundo” (Sorel).xxx