Posts com Tag ‘George Orwell’

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Giroscópio em movimento

Abril 22, 2009

 por George Orwell (1984)

capitalismOs capitalistas eram donos de tudo no mundo, e todas as outras pessoas eram escravas deles. Eram donos de toda a terra, todas as casas, todas as fábricas, todo o dinheiro. Se alguém lhes desobedecesse, podiam jogá-lo na prisão, ou podiam tomar-lhe o emprego e matá-lo lentamente, pela fome. Quando um cidadão comum falava com um capitalista, tinha de se encolher e se inclinar, tirar o boné e chamá-lo de “Senhor”.

Desde que se começou a escrever a História tem havido três classes no mundo, Alta, Média e Baixa. Mesmo depois de enormes comoções e transformações aparentemente irrevogáveis, o mesmo diagrama sempre se restabeleceu, da mesma forma que um giroscópio em movimento sempre volta ao equilíbrio, por mais que seja empurrado deste ou daquele lado.

Os objetivos desses três grupos são irreconciliáveis. O objetivo da Alta é ficar onde está. O da Média é trocar de lugar com a Alta. E o objetivo da Baixa, quando tem objetivo, é abolir todas as distinções e criar uma sociedade em que todos sejam iguais.

Assim, por toda a História, trava-se uma luta que é a mesma em seus traços gerais.

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O Estado de Guerra

Março 20, 2009

1984

“O essencial da guerra é a destruição, não necessariamente de vidas humanas, mas dos produtos do trabalho humano.A guerra é um meio de despedaçar, ou de libertar na estratosfera, ou de afundar nas profundezas do mar, materiais que doutra forma teriam de ser usados para tornar as massas demasiado confortáveis e portanto, com o passar do tempo, inteligentes.

Mesmo quando as armas de guerra não são destruídas, sua manufatura ainda é um modo conveniente de gastar mão-de-obra sem produzir nada que se possa consumir.

Em princípio o esforço bélico é sempre planejado de maneira a consumir qualquer excesso que possa existir depois de satisfeitas as necessidades mínimas da população.

A guerra não apenas realiza a necessária destruição como a efetua de maneira psicologicamente aceitável. Em princípio, seria bastante simples gastar o excesso de mão-de-obra construindo templos e pirâmides, cavando buracos e tornando a enchê-los, ou mesmo produzindo grandes quantidades de mercadorias e queimando-as.  Mas isso só daria a base econômica, mas não a emocional, de uma sociedade hierárquica.

O que importa é que possa existir o estado de guerra.”

Já dizia WALTZ:

“O bem-estar da população mundial só pode aumentar na medida em que a produção aumente e isso só acontece quando há paz”.

Palavras que justamente confirmam a ficção.

Ora, não digo que não restam mais dúvidas quanto às desventuras da guerra. O mais relevante, acredito eu, é que a partir da leitura deste trecho, as dúvidas são direcionadas ao cerne da questão.

O texto é da autoria de George Orwell, a obra intitulada 1984 (curiosamente, é do ano de 1948…).