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The Agent-Structure Problem in IR Theory

Junho 2, 2009

(por Leticia Simões)

Wendt

Alexander E. Wendt em seu artigo de 1987 aborda o problema de agente e estrutura na teoria de Relações Internacionais, onde o autor trabalha com uma dupla escolha ontológica adotando o mesmo status ontológico para ambas as dimensões, e sem a escolha de níveis de análise, que não existem em sua concepção, usando os dois para construir seu pensamento. Utilizando uma de suas principais premissas a de co-constituição, Wendt vai dizer que a Política externa não é causada pelo agente ou pela estrutura, mas sim, pela interação dos dois.

Em seu texto, Wendt vai trabalhar com a Teoria Estruturalista, já que para o autor, a teoria Realista e a teoria Mundo não são suficientes para explicar a maneira que os Estados se comportam no Sistema, pois tentam fazer isso através da Estrutura. O autor irá mostrar as semelhanças e diferenças entre as duas teorias que para ele são incompletas para explicar o fenômeno e criticar suas concepções para depois apresentar a teoria na qual estrutura e agente atuam juntos se influenciando e se co-constituindo.

Entendendo que o problema agente estrutura deriva de dois problemas, um ontológico e outro epistemológico e conseguindo responder a pergunta sobre a ontologia dos objetos, o autor afirma que o neo-realismo e a teoria mundo escolhem dar uma ontologia mais antiga a um das dimensões, que seria a estrutura. Desta forma utilizam como instrumento para seguirem com suas argumentações respectivamente o individualismo e o estruturalismo, que para Wendt são reducionistas e que, portanto não conseguem explicar o todo já que reduzem agente e estrutura a unidades primitivas.

Wendt em sua abordagem deixa claro que não é contra uma teoria ter início em agente ou em estrutura, mas contesta o fato de não haver nada que explique porque a teoria inicia-se daquele ponto, fazendo assim um ataque direto às teorias neo-realista e mundo. Contudo, embora Wendt faça tal crítica não escolhe ele próprio uma das duas dimensões para iniciar sua teoria, utiliza as duas, e de certa forma perde a capacidade de prescrição.

Uma vez que o trabalho de Wendt se firma em rebater causalidades que são expostas pelas outras duas teorias as quais ele rechaça, é utilizando uma teoria alternativa que o autor busca resolver o problema de agente estrutura. A teoria Estruturacionista, desenvolvida com o propósito de analisar o mundo social, fala de agente e estrutura mutuamente constituídos. Esta teoria ainda busca tipificar as entidades que habitam este mundo social, apontando de que forma devem ser observadas.

Quanto  à co-constituição de agente e estrutura, dentro do estruturacionismo, o princípio serve também para o sujeito e o objeto ou o ‘eu’ e o ‘outro’. Todo sujeito é objeto e todo objeto é sujeito, uma vez que eles são o que são objetivamente e o que o outro subjetivamente pensa que ele é, já que sem a interação o objeto e o sujeito simplesmente não existiriam. Esta mesma lógica é aplicada aos Estados. Todavia, o fato de a teoria utilizada por Wendt ser uma teoria analítica, faz novamente com que se perca a capacidade de prescrição, uma vez que a teoria se propõe a analisar o sistema, mas não se propõe a explicá-lo ou falar de maneira profunda como ele funciona na realidade, que para Wendt não existe objetivamente, mas apenas quando lhe é dado significado.

Para o autor, na Teoria Estruturalista por não sermos seres causais, e sim constituídos e constituintes, tudo se torna possível através das ideias inclusive a existência do eu e do outro a partir de sua interação. Até mesmo o interesse dos Estados é formado por fatores materiais e ideacionais. E Wendt, colocando-se como um realista científico afirma que cria leis na tentativa de explicar os fatos; contudo Smith em seu artigo “Foreign Policys what States make of it” afirma que a epistemologia positivista de Wendt dá ares muito próximos ao racionalismo, como em uma tentativa de positivar o construtivismo.

Entretanto, a principal crítica ao Construtivismo de Wendt, uma excelente ferramenta de crítica ao que se conhece como principais Teorias de Relações Internacionais, é que tudo existe de maneira subjetiva, e o subjetivo não pode ser quantificado; as prescrições esperadas de uma teoria ficam apenas no nível do “potencial”, do que poderá ocorrer sem dar solidez para nenhuma das afirmações feitas. O construtivismo trazido por Wendt é fiel ao que se propõe fazer: resolver o problema de agente e estrutura dando o mesmo status ontológico às duas dimensões, mas embora não se proponha a isso, não resolve os dilemas da Política Externa ao aplicar nesta, sua teoria estruturalista e o conceito de agente estrutura co-constituídos.

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Definindo Positivismo

Maio 6, 2009

O positivismo continua como passo de fundo inquestionável do discurso acadêmico.

 Associação das sociedades com o tipo de conhecimento:

-         Teológico

-         Metafísico

-         Positivo

 

Correspondem a três estágios da evolução humana:

-         Primitivo (infância)

-         Intermediário

-         Científico (maturidade)

 

As transformações sociais correspondem à transformação do conhecimento.

 

Conhecimento científico:

-         Verdadeiro (correspondência empírica, é comprovável por fatos).

-         Objetivo (não influenciável, não depende do julgamento do sujeito ou da visão de mundo de cada um).

-         Unificado metodologicamente (leis e previsibilidade, assim como no estudo das ciências naturais).

 

Positivismo Lógico:

-         Teoria referencial do sentido (significado).

-         Método de explicação monológico-dedutivo e modelo de justificação hipotético-dedutivo.

-         Valor das teorias (visão axiomática, máxima que encerra uma verdade).

 

Lógica Positivista de Investigação:

Primeiro Princípio = verdade por correspondência (aos fatos, mundo empírico). A verdade depende do grau de correspondência entre a proposição e o mundo real.

            Pressuposto: separação entre sujeito e objeto.

 Segundo Princípio = unidade metodológica da ciência.

            Pressuposto: naturalismo (quando descobre as leis, descobre as causas que regem os fenômenos).

Os mesmos métodos usados para conhecer as ciências naturais são usados para conhecer as ciências sociais.

 Terceiro Princípio = natureza ‘livre-de-valor’ do conhecimento científico.

            Pressuposto: separação entre fato e valor. (O fato é único. O valor varia conforme formação pessoal, gostos, opções, etc).

 

1º – reino do empírico

2º – não afetado pela visão de mundo dos observadores.

 

Conclusão:

 3 PRINCÍPIOS:

1. verdade por correspondência

2. unidade metodológica da ciência

3. natureza livre-de-valor do conhecimento científico

 3 PRESSUPOSTOS

1. separação entre sujeito e objeto

2. naturalismo

3. separação fato e valor

 

Há predomínio da TÉCNICA no Positivismo, e partem de PRESSUPOSTOS, tratados como dados.

 

Elementos do Debate

Positivistas

Pós-Positivistas

Unidade do Método Científico Sim Não
Saber como ciência Sim Não
Teoria Normativa Não Sim
Sujeito / Objeto Separados / Dados Co-Constituídos
Identidades Exógenas Endógenas
Soberania Dada Construída

 

As 3 correntes pós-positivistas 

*

Teoria Crítica

Construtivismo

Pós-Modernismo

Lógica de Produção do Conhecimento

Situada histórica e socialmente

Inter-Subjetividade

Poder / Verdade

Objeto de Análise

Ordens mundiais / Hegemonia

Anarquia / Domínio

Práticas discursivas

Dinâmica

Dominação / Exclusão

Co-Construção

Dominação / Exclusão

Materialismo / Idealismo

Dialética (comunidade de diálogo)

Idealismo (para Wendt)

Idealismo

Visão do Estado

Complexo do Estado / Sociedade

Agente Corporativo (para Wendt)

Espaço arbitrário de exclusão

Fundacionismo / Realidade

Universal

Universal

Particular

 

 Notas: 

Ontologia: o que é o objeto de estudo.

Metodologia: qual caminho deve ser percorrido para afirmar alguma verdade sobre o objeto.

Epistemologia: como provar que alguma asserção sobre o objeto é verdadeira (validação). 

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