O coração também é um metafísico:
Estremece por formas invisíveis,
Anda a sonhar uns mundos encantados,
E a querer umas coisas impossíveis…
Tobias Barreto
(1839-1889)
Inspirado nas palavras de Tobias Barreto, encontro-me pensando sobre minha monografia. O que querem de mim os cientistas sociais? Em breve, recebo o título de bacharel em Relações Internacionais.
A arte de elaborar uma boa monografia assim me parece:
Imagine uma criança. Ela vai a uma festa.
De praxe, a mãe ou pai dessa criança ajuda na colocação da sua roupa e na preparação para encontrar amigos, familiares e conhecidos.
A situação começa a complicar-se quando a criança – pronta para a festa -, ouve o seguinte:
“-Olha, agora você fica aí. Não se suje que agora eu vou me arrumar. ok?!“.
A criança está perdida. Não sabe que é praticamente impossível não se sujar.
Mesmo imóvel, estática, algo acontece e… pronto, a roupa não está mais limpa.
O pânico começa como uma ebulição. Ela sabe que seus pais ficarão decepcionados.
A peça de roupa foi escolhida especialmente para aquela festa.
Pobre criança, ainda que a falta não tenha sido sua. Esperavam dela zelo suficiente, atenção e maturidade para permanecer por alguns instantes que fossem, limpa.
A monografia assim é. Esperam um projeto limpo, impecável. Sem qualquer subjetividade afora a escolha do tema.
Academia cruel, contudo, coerente (?).
Mas, pergunto eu, não há modo de permanecer subjetivo enquanto exploro os caminhos científicos?
Em razão das questões ontológicas, metodológicas e epistemológicas protegidas por eles, acredito já saber a resposta.
xxx