Posts de Setembro, 2008

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Guimarães Rosa: diplomata

Setembro 30, 2008

“… um diplomata e um sonhador e por isso pude exercer bem essa profissão (…) … eu jamais poderia ser político com toda essa constante charlatanice da realidade. O curioso no caso é que os políticos estão sempre falando de lógica, razão, realidade e outras coisas no gênero e ao mesmo tempo vão praticando os atos mais irracionais que se possam imaginar. Talvez eu seja um político mas desses que só jogam xadrez, quando podem fazê-lo a favor do homem. Ao contrário dos ‘legítimos’ políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. Sou escritor e penso em eternidades. O político pensa apenas em minutos. Eu penso na ressurreição do homem”.

“… considero o idioma como uma metáfora da sinceridade”
(Coutinho, 1983: 77/78).

In: ARAÚJO, Heloísa Vilhena de.
Guimarães Rosa: diplomata/Heloísa Vilhena de Araújo.- Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2007. D
isponível no site da Fundação Alexandre de Gusmão. (Site: www.funag.gov.br).

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A importância da Guerra dos 30 Anos para as Relações Internacionais

Setembro 30, 2008

No início do século XVII, a Espanha, a França, a Inglaterra e a Holanda disputavam entre si a hegemonia da Europa. As guerras eram uma forma de afirmação e pelo uso das armas, o Estado assegurava o domínio de seu território e de suas colônias, consolidava o controle de rotas comerciais e garantia sua influência em lutas dinásticas.
O primeiro conflito a eclodir foi a Guerra dos 30 Anos (1618-1648), que foi provocada por problemas religiosos e políticos. Girou em torno dos Habsburgos, da Áustria, e dos Bourbons, da França. A causa imediata da guerra foi a tentativa do Imperador do Sacro Império Romano-Germânico de fazer com que a coroa coubesse a um parente. A dinastia dos Habsburgos procurava impor o absolutismo e a religião católica a seus súditos do Sacro Império Romano-Germânico Os príncipes protestantes, organizados na Liga Evangélica, revoltaram-se e foram derrotados. A Alemanha, a Dinamarca e a Suécia entraram na guerra contra a agressão austríaca, mas com a segunda intenção de expandir seus próprios domínios. A França e seus aliados saíram vencedores e a paz foi restabelecida pelo Tratado de Westfália, que confirmou a posse pela França de territórios alemães.
Como conseqüência dessas mudanças foram lançadas as bases de ácidas disputas internacionais no futuro. Para evitar que outros conflitos como esse ocorressem, seria preciso seguir o conceito de SOBERANIA, que consiste em fazer com que cada Estado faça valer dentro de seu território as suas decisões, e tenha poder de organizar-se juridicamente sem intervenção externa, ou seja, é a base do principio de igualdade soberana de Estados independentes (equilíbrio de poder).

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A Verdade Sobre Religião: O Conceito de Revelação Progressiva

Setembro 25, 2008

(por Márcio Ricardo*)

Todos já se perguntaram o porquê de existir tantas religiões no mundo, distintas umas das outras, se Deus é um só. Tantas quantas já se questionaram a esse respeito, foram as pessoas que não encontraram uma resposta satisfatória, e essa é uma das razões que pelas quais fizeram muita gente negligenciar suas necessidades espirituais, inerentes à natureza humana. Mas tudo tem uma explicação compreensível, e nada acontece ao acaso. Reconhecer a figura de Deus implica em aceitar também seus atributos de Onisciência e Onipotência, e nada acontece sem que seja de Sua própria Vontade. Portanto, se existe tantas religiões no mundo, existe uma razão plausível que pode até ser óbvia. E se, até então, as pessoas ainda não atingiram a compreensão desta razão, também existe um porquê para isso.

A origem de tudo que conhecemos e sabemos é duvidosa porque, desde tempos imemoriais, ter propriedade de informações conferia poder, e aqueles que difundiam estas informações, o faziam por interesse próprio, para tirar proveito dessa vantagem ou por interesse e beneficio de um grupo. Esse fato é verossímil em todas as áreas de conhecimento, mas vamos nos ater a Religião em si. Desde os primórdios, quem se dizia representante de Deus, enviado de Deus, ou dizia conhecer a verdade e os mistérios de Deus gozavam de privilégios, como não participar de caças ou no cultivo de alimentos e participavam das decisões da coletividade de forma efetiva. Essa conduta se perpetuou com o passar dos tempos já que podemos perceber os altos postos que o clero religioso sempre ocupou na estratificação social, além da participação política efetiva nos destinos da humanidade. Agora, vamos ser diretos. Se as informações que recebemos foram, de certo modo, manipuladas para atender interesses específicos, tudo que sabemos tradicionalmente, e que formaram nossa cultura, devem ser reavaliadas conscientemente, já que temos a capacidade de discernir melhor e pesar as coisas na balança da sensatez.

Desde que fomos descobertos, o ocidente tratou de nos colonizar culturalmente, e o modelo de cultura era o europeu. No contexto da época, a religião passava por um momento delicado, de cisão, e o protestantismo ganhava cada vez mais adeptos por estarem em consonância com os princípios de uma classe em ascensão, a burguesia. Vendo seus crentes migrarem sua fé para outras religiões, e temendo perder seu poder de influência no mundo conhecido, a Igreja Católica, através do Concílio de Trento, determinou a catequização de novos adeptos, e mandaram os jesuítas para as terras recém descobertas. Tal catequização tinha objetivos claros e interessados, e não tinha a ver com purificação espiritual, mas sim com motivações políticas. Essa foi a primeira experiência de sistema de ensino e aprendizagem que tivemos, e os modelos e estruturas educacionais que foram estabelecidos desde então sempre foram movidos por interesses políticos, mas vamos abordar essa questão em outra oportunidade. O que é importante ressaltar é que, desde a colonização, fomos induzidos a aceitar uma única vertente da verdade religiosa, sem termos referências das outras religiões existentes.

Podemos reconhecer grandes matrizes religiosas, e elas são quase equivalentes no número de crentes: entre um bilhão, um bilhão e duzentas pessoas. Ou seja, existem tantos cristãos quanto existem muçulmanos, judeus, hinduístas, budistas… e as questões que surgem são: porque existem tantas matrizes (considerem matriz como a essência religiosa. Exemplo: cristianismo é a matriz religiosa do catolicismo, ortodoxismo cristão, protestantismo… e estas se subdividem aos milhares) religiosas? Se você é cristão, o que faz você acreditar na grandiosidade de sua crença em detrimento das demais? Se você é conhecedor da verdade, como pode haver tanta gente (4/5 da população mundial) enganada quanto às suas crenças? Porque se observa tanta intolerância em relação às demais crenças religiosas, se as pessoas desconhecem as demais religiões? Eis o conceito que deve ser concebido às pessoas: Deus é um só, e a religião é uma só, e todas elas fazem parte de um mesmo processo de educação espiritual da humanidade. Este é o princípio da revelação progressiva de Deus, e existem provas cabais da veracidade das evidências deste processo.

Este processo acontece devido a uma aliança feita entre Deus e a humanidade, registrada nas escrituras sagradas, de que seria enviado um educador, um profeta, de tempos em tempos, que revelaria verdades e leis espirituais a toda humanidade. Esse fato pode ser compreendido com a parábola da vinha, através da Bíblia, que diz assim, em linhas gerais: Deus tinha uma vinha, e conferiu a responsabilidade dessa vinha a algumas pessoas, mas de tempos em tempos, mandaria seus representes (seus profetas) ver como essas pessoas estavam cuidando dessa vinha (entenda vinha por humanidade)… e assim procedeu: mandou um representante, mas essas pessoas (o clero religioso) não acreditaram nela e a mataram. Tempos depois, Deus mandou outro, e descrentes, também o mataram. E Deus prosseguiu mandando outro, e mais outro, mais outro, mas todos foram mortos. Insatisfeito pela audácia dessas pessoas, Deus mandou seu próprio filho para que reclamasse os maus tratos destas para com a vinha e seus representantes, mas eles também mataram seu filho! Diante do ocorrido, Deus prometeu vir Ele, pessoalmente, retiraria a vinha dessas pessoas e a entregaria àqueles que a merecessem.

Outro indício, também observável na Bíblia, está na história de Abraão. Como prova de submissão e obediência, Deus ordenou que Abraão sacrificasse seu filho. Sem questionar, Abraão amarrou e vendou os seus olhos, mas antes de sacrificá-lo, Deus interveio dizendo ter tido provas suficientes de sua obediência incondicional, pediu que sacrificasse um animal, e prometeu abençoar sua linhagem como recompensa. Como sabemos, Abraão teve três casamentos: de seu primeiro matrimônio, descenderam Moisés e Jesus, arautos do Judaísmo e do Cristianismo, respectivamente; de seu segundo matrimônio, descenderam Maomé, profeta do Islã, e `Ali Muhammad, que recebeu o título de O Báb (a porta, em árabe), e iniciou o Babísmo, religião precursora da Fé Bahá´í; de seu terceiro matrimônio, descendeu Bahá´u´lláh (título que significa Glória de Deus, em árabe), que deu início à uma nova religião, em meados do século XIX. O que a história de Abraão nos evidencia é que sua descendência, abençoada, originou as grandes matrizes religiosas que conhecemos, e por algum motivo, fomos induzidos a não reconhecê-los como os expoentes da religião de Deus. Outra evidencia clara, a meu ver, é o fato de existir um grande plano divino, já que Deus havia prometido o surgimento desses seres abençoados, e como diz a parábola da vinha, viriam de tempos em tempos, para educar a humanidade e renovar sua mensagem, de acordo com o desenvolvimento e capacidade de compreensão das pessoas.

Para visualizar a sensatez desse plano, imagine o sistema educacional que conhecemos, apenas como exemplo: quando estamos aptos a receber instrução escolar, devido o desenvolvimento de nossa capacidade cognitiva, ingressamos na escola. Como nossa capacidade é ainda limitada, aquilo que temos capacidade de aprender também é limitado e, portanto, na primeira série, aprendemos o be-a-bá, o básico para começarmos nossa alfabetização, além de algumas noções de matemática, como somas e subtrações simples, etc. O que o professor nos ensina é tudo aquilo que somos capazes de aprender, a princípio, e não significa que o conhecimento do professor se limita àquilo. Com o nosso desenvolvimento cognitivo durante a primeira série nos tornamos aptos a aprender mais e adquirir novos conhecimentos dentro de um plano pedagógico, e assim, passamos para a segunda série, com outro professor, onde vamos aprender coisas mais complexas de alfabetização e matemática, como construir sentenças de palavras maiores ou contas mais complexas. E assim, sucessivamente, aprendemos tudo aquilo que nos seria imprescindível para a vida, de acordo com nosso próprio desenvolvimento e nossa capacidade de compreensão. O que a parábola da vinha demonstra é que Deus ordenou esse plano de educação da humanidade, enviando seus professores divinos para nos educar espiritualmente, cada qual a seu tempo, de acordo com nossa capacidade de compreensão. Tanto é verdade, que Jesus disse: tenho muito a vos dizer, mas não podeis suportar agora. Um dia virá o Espírito da Verdade e vos guiará toda a verdade… Se estivéssemos prontos para aprender tudo, ele teria ensinado, mas, ao contrário, disse que outro viria para isso (o Espírito da Verdade; se fosse Ele próprio, teria dito Eu virei ou voltarei). Este plano nada mais é que a evidência clara que a religião, portanto, é uma só, e que todos aqueles seres santos que iniciaram uma religião, com ensinamentos específicos e livros sagrados distintos (veja gráfico abaixo), o fizeram dentro de um mesmo plano de Deus.

Esta verdade é suficiente para derrubar alguns mitos. O primeiro deles é que Deus não abandonou a humanidade a própria sorte depois da morte de Jesus, como muitos acreditam; assim como os judeus deveriam ter reconhecido a divindade de Jesus, os cristãos deveriam ter reconhecido a divindade em Maomé, e ainda, tanto judeus e cristãos, quanto muçulmanos, deveriam reconhecer O Báb e Bahá´u´lláh como os últimos expoentes da revelação de Deus. Outro mito está no fato de Jesus ser o único caminho, verdade e vida (espiritual): quando Cristo disse isso, não fazia referência ao cristianismo (quem nem existia, de fato) como a única religião que conduziria a Deus. A verdade é que se analisarmos o contexto em que isso foi dito, poderemos compreender melhor: sacerdotes judeus questionavam a origem divina de Jesus por ter nascido em Jerusalém, filho de carpinteiro, e não ter descido das nuvens, com uma espada, nem havia sentado no trono de Davi, como diziam as profecias sobre a vinda do Messias. Portanto, eram os sacerdotes que se julgavam representantes de Deus por conhecerem a verdade das escrituras sagradas. O que Cristo quis dizer, em outras palavras, é que ele era o caminho, naquela época, naquele contexto, e não os sacerdotes. É claro que reconhecer Cristo como Messias implicaria em ter que abrir mão de todos os privilégios que tais sacerdotes detinham tradicionalmente, e mesmo que o reconhecessem, não o fariam por interesse próprio, e ainda, manipulariam a opinião pública a desacreditar numa nova manifestação, fato recorrente em todas as religiões. Todos aqueles que se disseram Manifestantes de Deus foram perseguidos, sofreram tribulações, pesares, castigos e torturas físicas, e basta recorrer à história para se comprovar.

Reconhecer a unicidade da Revelação de Deus exige certo desprendimento de tudo aquilo que conhecemos por tradição, e analisar a história com discernimento e atenção para notar o entrelaçamento que existe entre as religiões. Por exemplo, os cristãos não reconhecem Maomé como Manifestante de Deus, mas os muçulmanos reconhecem a posição de Jesus e, não só o reconhece, como o reverencia. No Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, há uma das mais belas referências sobre a grandiosidade de Jesus, relatada por Maomé. Antes de o mundo árabe ter aceito Maomé como um emissário de Deus, a religião predominante no oriente médio era o zoroastrismo, religião fundada por Zoroastro. Pode te soar estranha essa informação, mas o zoroastrismo está mais presente em nossa formação do que você sequer possa imaginar: é na data mais importante para o cristianismo que reconhecemos as figuras dos Três Reis Magos, que eram sacerdotes zoroastrianos, e só encontraram Cristo por conta de profecias sobre sua vinda, deixadas por Zoroastro. Além disso, toda a cultura ocidental está alicerçada sobre a filosofia socratiana, e Sócrates desenvolveu sua filosofia quando esteve em contato com os sacerdotes zoroastrianos.

E para quem é apegado aos milagres do cristianismo, uma informação capaz de abalar as estruturas: Jesus não foi o único que nasceu de mãe virgem! Tanto Jesus, quanto Krishna (que originou hinduísmo) e Zoroastro nasceram de mães virgens! Aí, você pode pensar: nascer de mãe virgem é uma sacada tão interessante, que podem ter plagiado a história!! Verdade… faz sentido! Acontece que Krishna surgiu há 3500 anos, e Zoroastro, 2600 anos, aproximadamente e, portanto, antes de Cristo. Quem teria plagiado quem? Ao invés de se pensar em plágio, que tal pensar na origem divina de todos Eles, através de um método recorrente usado por Deus?

São fatos como estes que fazem sentido acreditar que a religião de Deus é uma só, e que todos os manifestantes que surgiram vieram por propósitos específicos: cada qual, na sua época, detinha uma verdade necessária para o progresso humano, e faziam parte de um plano maior de Deus, de educação da humanidade, com ensinamentos capazes de suprir as necessidades de cada época. Talvez, no período de Moisés, que tinha como ensinamento primaz a obediência, a lei contida nos dez mandamentos de Não matarás fosse suficiente para estabelecer a ordem social. Mas o mundo muda, a sociedade e as necessidades também mudam. E se por acaso entra um bandido em sua casa e violenta uma mulher ou criança? Se você tivesse a chance de se proteger, mataria esse bandido? Se uma pessoa coloca uma arma em sua cabeça enquanto estupra alguém da sua família, e você tomasse essa arma, mataria essas pessoas? Não estou dizendo que devemos ter direito de fazer justiça com as próprias mãos, mas sim, evidenciar que uma lei social do tipo Não matarás já não seria suficiente em si e precisaria de complemento para atender as necessidades do mundo contemporâneo. Antes, simplesmente obedecer já conferia segurança que a lei pretendia, assim como um pai determina o que uma criança deve ou não fazer, sem questionar, já que ainda não é capaz de compreender sua razão. Mas quando este atinge a adolescência, é capaz de compreender o que é certo e o que é errado, e a obediência deve ser conseqüência da compreensão das razões do pai. Como um indivíduo, a humanidade também cresce, se desenvolve, amadurece e é isso que Deus faz quando envia de tempos em tempos seus manifestantes: ampliar a compreensão dos preceitos religiosos, renovar leis sociais e espirituais num mundo em constante transformação, e se um profeta muda de cara ou inicia uma nova religião, é justamente para testar a fé das pessoas, como aconteceu com os judeus quando Deus enviou Cristo, como previa a parábola da vinha; e como aconteceu com os cristãos na vinda de Maomé, e como aconteceu com todos eles quando enviou Bahá´u´lláh. Você pode até não atirar pedras, não crucificar, como fizeram a Jesus, mas não reconhecer um manifestante te coloca no mesmo patamar daqueles que negaram a divindade de Cristo, de descrença e afastamento de Deus. É esse nosso Juízo Final! E se por acaso você estagnou nos ensinamentos espirituais difundidos há 2000 anos atrás, está tão defasado quanto se parasse de estudar no primário, ou seja, deixou de conhecer muitas verdades espirituais, mas é perfeitamente capaz de compreender e discernir essas verdades, pois outros professores, divinamente ordenados, deixaram ensinamentos tão belos, compreensíveis, quanto importantes e fundamentais para nossa existência.

 * Márcio Ricardo, Formado em Sociologia, Ciências Sociais e Políticas, pela UNESP, pesquisador em Política Internacional e Relações Internacionais. Membro da Comunidade Bahá’í.

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O Homem, o Estado e a Guerra – Kenneth Waltz

Setembro 24, 2008

What are the causes of war? To answer this question, Waltz examines the ideas of major thinkers throughout the history of Western civilization. He explores works both by classic political philosophers, such as St. Augustine, Hobbes, Kant, and Rousseau, and by modern psychologists and anthropologists to discover ideas intended to explain war among states and related prescriptions for peace.

 

 - A PRIMEIRA IMAGEM 

De acordo com a primeira imagem das relações internacionais, residem na natureza e no comportamento humano as causas importantes da guerra. Ou seja, as guerras resultam do egoísmo, de impulsos agressivos mal canalizados e da estupidez.

Nesse capítulo, Waltz considera aqueles que aceitam a proposição de que, para entender a recorrência da guerra, é preciso, antes disso, conhecer o homem e a sua natureza falha, por meio da qual os males do mundo, inclusive a guerra, podem ser explicados.

Waltz critica a posição de autores como Santo Agostinho, Niebuhr e Morgenthau, que rejeitam o dualismo explícito que existe na natureza humana. Para estes, o homem inteiro, mente e corpo, é falho. Eles deduzem os males políticos dos defeitos humanos. Ainda que seja proclamada a paz como a finalidade do  Estado, estes são inimigos naturais, e nessa condição, têm de estar constantemente em guarda uns CONTRA os outros. A culpa desse fato é que as paixões freqüentemente obscurecem os verdadeiros interesses dos Estados e dos homens.

O enunciado conciso da primeira imagem consiste em que a maldade do homem, ou seu comportamento impróprio, leva à guerra. A bondade individual, s pudesse ser universalizada, significaria a paz. Embora demonstrem a utilidade da primeira imagem, Santo Agostinho e Espinoza, Niebuhr e Morgenthau também ajudam a deixar claros os limites de sua viabilidade.

  

- A SEGUNDA IMAGEM 

De acordo com a segunda imagem das relações internacionais, a organização interna dos Estados é a chave para a compreensão da guerra e da paz.

A proposição a ser considerada é a de que, por meio da reforma dos Estados, as guerras podem ser reduzidas ou eliminadas para sempre, uma vez que, relembrando, parte-se da idéia de que os defeitos nos Estados provocam guerras entre eles.

Segundo a concepção liberal, a condição interna determina o comportamento externo. O bem-comum deve ser sempre buscado e, ainda que a busca de um determinado bem possa ser alcançada de outra maneira, isso deve ser refutado, porque não contribuiria para o bem de todos os países. É sabido que o povo realiza seus interesses somente com a paz. A cooperação ou competição construtiva é a maneira de promover, simultaneamente, os interesses de todos os povos. O bem-estar da população mundial só pode aumentar na medida em que a produção aumente e isso só acontece quando há paz.

Waltz aponta que as soluções para o problema da guerra baseadas no padrão tanto da primeira imagem (natureza e comportamento humano) como da segunda imagem (estrutura interna dos Estados) têm de pressupor a possibilidade de perfeição das unidades em conflito. Sendo essa perfeição impossível, o sistema liberal pode, no máximo, produzir uma situação de aproximação da paz mundial.

Em suma, o liberal pode descobrir uma situação antiga da inclinação de substituir a força pela razão quando o tipo de organização concebido se acha insuficientemente equipado para realizar seus objetivos. É muito árdua a tarefa de identificar que combinação contém a fugidia fórmula da paz. A crítica de Waltz aos liberais aplica-se a todas as teorias que se apóiam na generalização de um padrão do Estado e da sociedade a fim de trazer paz ao mundo.

A influência a ser atribuída à estrutura interna dos Estados, quando se tenta resolver a equação guerra-paz, só pode ser determinada depois de se considerar a importância do ambiente internacional.

 

  - A TERCEIRA IMAGEM

 De acordo com a terceira imagem das relações internacionais, encontram-se na anarquia internacional as causas da guerra.

 Com tantos Estados soberanos, sem um sistema jurídico que possa ser imposto a eles, com cada Estado sendo juiz de suas queixas e ambições segundo os ditames de sua própria razão ou de seu próprio desejo, o conflito, que por vezes leva à guerra, está fadado a ocorrer.

O crescimento do poder de um Estado aterroriza um outro que, preocupado, aumenta também seu poder. Essa preocupação com a posição de relativa de poder dos Estados leva inevitavelmente ao uso da força para alcançar metas.

Não se encontra problemas de desunião ou conflito quando se analisa na política doméstica  vontade do Estado, como sendo a vontade geral. No estudo da política internacional, convém analisar os estados como unidades atuantes, sendo assim, há o conflito de interesses. Cada Estado tem uma vontade e essa vontade é tida pelos outros Estados como vontade particular, podendo, inclusive, ser considerada como injusta e errada. Cada país estabelece suas metas, daí, na ausência de uma autoridade acima dos Estados para prevenir e conciliar os conflitos que surgem, a guerra é inevitável. Na anarquia, portanto, não há harmonia automática. Ainda, é possível concluir que, entre Estados autônomos, a guerra é inevitável. 

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Notas sobre a Guerra Fria

Setembro 23, 2008

A Guerra Fria foi manifestação nítida da bipolarização do poder planetário entre os EUA (capitalismo) e a URSS (socialismo) que eram capazes de desencadear a destruição de todo o mundo com suas armas nucleares. O temor da confrontação bélica direta, que na era nuclear parece constituir caminho seguro para o mútuo suicídio, bloqueia o uso da força para a solução dos conflitos.

A Guerra Fria é o reinado de uma nova forma de equilíbrio, definida com precisão pelo conceito de equilíbrio de terror. O equilíbrio de terror atravessou fases distintas, cada uma caracterizada por um determinado balanço na escala planetária. Entretanto, quando a URSS disponibilizou de vetores intercontinentais, fato esse marcado pela Crise dos Mísseis em Cuba (1962). A doutrina de Destruição Mútua Assegurada (MAD – Mutual Assured Destruction) trabalhou em um cenário onde um primeiro ataque (first strike) de um dos antagonistas dirigido contra os dispositivos do outro deveria ser capaz de destruir ou desorganizar esse dispositivo a ponto de impedir uma resposta devastadora (second strike). A iniciativa de ataque não decide a guerra, mas apenas inaugura o holocausto. O equilíbrio de terror é perfeito.

Durante a política de coexistência pacífica, dois importantes acordos sobre armamentos nucleares foram assinados entre USA e URSS. O SALT-1 (Tratado de Limitação de Armas Estratégicas) (1972) proibia a construção de sistemas defensivos formados por mísseis ou antimísseis e o SALT-2 previa tetos máximos para a instalação de armas estratégicas ofensivas.

O equilíbrio de terror permanecerá, mas, à medida que se tornar menos ostensivo, maior será o efeito psicológico junto à opinião pública, favorecendo a melhora da relação entre os antagonistas.

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Privada I: o homem e sua obra

Setembro 22, 2008

Antonio Prata


“Este ódio de tudo o que é humano, de tudo
o que é ‘animal’ e mais ainda de tudo que é
‘matéria’, este horror dos sentidos (…) tudo isso
significa (…) vontade de aniquilamento,
hostilidade à vida, recusa em se admitir
as condições fundamentais da própria vida”.
Nietzsche

O Homem é o novo rico da natureza. Assim que nos demos conta de que éramos os únicos na vizinhança que falávamos, fazíamos as quatro operações e conseguíamos encostar o dedão no mindinho, ficamos profundamente, irremediavelmente bestas. Cobrimos a pele com panos, penteamos o cabelo pra trás, passamos uma salivinha na sobrancelha, dissemos: adeus, bicho! e saímos da selva.

Nem mal deixamos o bosque, passamos a esnobá-lo e a condenar as atitudes de todos os seus habitantes. Nós éramos superiores! Nós dominávamos a natureza! Nós usávamos ferramentas, meias e fio dental!

Novo rico que se preze, no entanto, dá bandeira. Há sempre um douradinho além da conta, um sotaque suburbano escapando num momento de exaltação, um conversível rosa com a placa mom ou dad. Com a humanidade também é assim. Por mais que consigamos trocar nossos odores naturais por mentol, eucalipto ou tutti-frutti, gastemos um bilhão de dólares em pesquisa para criar lâminas capazes de raspar perfeitamente nossos pêlos e cubramos toda a crosta da terra com asfalto e carpete sintético, um ato sempre nos denunciará o passado selvagem, a natureza animal: a cagada. Ali não tem desculpa, não tem disfarce.

A merda é nossa ligação perene com a floresta, com o barro de onde viemos. Aí não tem talher nem tailleur nenhum que nos diferencie da arara ou do tamanduá. Nus como as trutas, acocorados como os cães, expelimos a verdade universal, fisiológica, cilíndrica e obscura que por tanto tempo tentamos ocultar. Somos animais!

Temendo uma reflexão mais elaborada sobre o assunto, e sabendo das conseqüências que tamanha verdade traria uma vez revelada, desde cedo cuidamos de camuflar o assunto. Fizemos com a bosta o que fazemos com as putas, as drogas e tudo aquilo que é necessário existir, mas não é preciso divulgar; marginalizamo-la. Condenamos as fezes ao ostracismo.

No início, enquanto vagávamos nômades, a coisa era bem fácil. O sujeito simplesmente se afastava um pouco da horda, fazia o que tinha de fazer e ia embora, deixando as sujeiras para trás. Estávamos literalmente cagando e andando.

Quando os primeiros povos dominaram as técnicas de irrigação e, portanto, a agricultura, passaram a viver fixos num determinado local, e defecar ficou um pouquinho mais complicado. O sujeito tinha que sair da aldeia, andar um pouco, achar uma moita, cavar um buraco, fazer e enterrar. Durante muito tempo a coisa rolou assim, trabalhosa, mas sem maiores problemas.

Foi o crescimento da população e das aldeias que começou a complicar o processo. A moitinha ia ficando cada vez mais longe de casa, corria-se sempre o risco de se encontrar um conhecido por lá e, pior de tudo, cavar um buraco de segunda mão.

Dizem que foi um bretão chamado Walter Collins que teve a brilhante idéia: cavar um buraco bem fundo no quintal de casa e cercá-lo por paredes. Em pouco tempo a invenção de Walter, assim como suas iniciais, já podiam ser vistas em grande parte do mundo. Parecia que o problema havia sido solucionado. Mas veio a revolução industrial, o grande êxodo para as cidades e os quintais, como se sabe, foram pra cucuia.

Talvez tenha sido esse o momento mais difícil da humanidade frente aos seus excrementos, o clímax entre o Homem e sua sombra animal. Tivemos que trazer a bosta para dentro de nosso próprio lar. Para que isso fosse possível, bastava que jamais assumíssemos o verdadeiro fim do aposento que covardemente, eufemisticamente, chamamos de banheiro. Sim, meus caros, para não dar nas vistas, inventamos o chuveiro, a banheira, a higiene bucal, o secador de cabelo, o rímel, o blush e o batom, a acne e os tratamentos antiacne e todas as outras coisas para se fazer ali. Além disso, criou-se um arsenal para se disfarçar o cocô: sprays com odor de rosas, sachês que deixam a água da privada azul, verde ou rosa, exaustores, bidês e papeis higiênicos perfumados.

Ali, naquele ambiente cientificamente controlado, podemos aliviar as nossas necessidades com o máximo distanciamento possível. Após dar a descarga, nosso cocô é mandado para esgotos submersos, que desembocam em rios que vão dar lá longe no oceano. Sanamos o problema por enquanto, mas é só uma questão de tempo.

Todo esse cocô está se unindo, formando o maior movimento underground do mundo. Nossas cidades, nossos países estão boiando sobre rios de merda. Fala-se muito no fim do petróleo e no fim da água, mas não será assim que nós morreremos. Numa incerta manhã um cidadão dará a descarga e, como na piada, ouvirá o estrondo: o subsolo, entupido, explodirá. A verdade, reprimida por séculos e séculos, emergirá. Só nesse dia todos perceberão o tamanho da cagada em que nos metemos desde o dia em que resolvemos sair da floresta. E não haverá sachê nem bom ar que dê jeito. Como se sabe, só as baratas sobreviverão.


Antonio Prata
(24/08/1977) tem os seguintes livros editados: “Cabras, Caderno de Viagem”, com Paulo Werneck, Chico Matoso e Zé Vicente da Veiga, “Douglas e outras histórias”, e o recém lançado “As pernas da tia Corália”. Fernando Morais, escritor reconhecido no Brasil e no exterior, assim se manifestou sobre ele: “… Seria um livro de contos? De ensaios? De reflexões sobre o mundo? Não sei dizer. O que eu sei é que é um dos mais espirituosos e divertidos livros que li nos últimos tempos. Não me pejo, assim, de (mais uma vez?) valer-me da fantasia de Ruy Castro: aconselho-os a acompanhar a carreira do jovem escritor Antonio Prata. Ele tem espantoso futuro. Continuem lendo e observando-o”. E termina:”Pela qualidade do texto, fica dispensado o teste do DNA: Antônio é mesmo filho de Marta Góes e de Mário Prata”.

Da página 25 do livro “Douglas e outras histórias“, Azougue Editora – Rio de Janeiro, 2001, extraí o texto acima.

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Uma Teoria Realista da Política Internacional

Setembro 19, 2008

- A LUTA PELO PODER: A Política do Status Quo

- A LUTA PELO PODER: O Imperialismo

- A LUTA PELO PODER: Política de Prestígio

 Caracteriza-se por uma natureza empírica e pragmática, a prova pela qual a Teoria Realista da política internacional deve passar. O propósito é trazer ordem e sentido para uma massa de fenômenos que, sem ela, permaneceriam desconexos e incompreensíveis.

Entre princípios vários, o realismo político acredita que a política é governada por leis objetivas que deitam suas raízes na natureza humana. O principal conceito é que o interesse é definido em termos de poder e que esse princípio constitui uma categoria objetiva que é universalmente válida; é consciente da significação moral da ação política; não considera aspirações morais isoladas como leis morais que controlam o universo. É assim, portanto, que têm uma atitude singular, intelectual e moral, com matérias ligadas à política.

 

 A política do status quo visa a manutenção da distribuição de poder que existe em um determinado momento particular na história. Entretanto, isso não significa que essa política seja necessariamente oposta a qualquer mudança que seja. Pequenos ajustes que deixem intactas as relativas posições de poder são perfeitamente compatíveis. Entende-se que na política de status quo não se pode criar um  novo cenário de atuação para os atores, ou seja, é como um filme onde por mais que haja modificações no roteiro, o protagonista continua sendo sempre o mesmo, está claro o seu papel diferenciado daquele realizado pelo coadjuvante.

  

O termo imperialismo é usado indiscriminadamente a todo tempo, sem levar em consideração outro fato que não seja a visão do usuário do termo. O vocábulo vem perdendo significado e cabe ao analista a restituição da significação eticamente neutra, objetiva e definível. É imperialismo o contraste com a política do status quo. A política externa imperialista visa a demolição do status quo.

Teorias econômicas do imperialismo ocultaram sua verdadeira natureza. A teoria marxista reduz todos os problemas políticos como o reflexo de forças econômicas. Na perspectiva marxista o capitalismo é o pior dos males. A Escola liberal, por sua vez, afirma que a raiz do imperialismo está no excesso de mercadorias e capitais que buscam saída em mercados estrangeiros. A teoria ‘diabólica’, apoiada por pacifistas e marca registrada da propaganda consumista, aponta que os que lucram com a guerra se transformam em ‘vendedores de guerra’, são capitalistas perversos somente interessados no ganho particular. Tais teorias, entretanto, perdem sentido quando se entende que, para os capitalistas, está claro o fato de que a guerra não compensa, pois ela traz consigo uma irracionalidade que é estranha à natureza do capitalismo.

O imperialismo pode sr estimulado por uma guerra vitoriosa, por uma guerra perdida (gerado como uma reação ao imperialismo bem sucedido de outros), ou por fraqueza (o vácuo de poder atrai e daí, caracteriza-se como ameaça potencial à sobrevivência de Estados fracos ou de espaços politicamente vazios).

O imperialismo tem como objetivo o domínio de todo o globo politicamente organizado (império mundial); preponderância de poder estritamente localizada (preponderância local); ou domínio limitado geograficamente (império continental).

Os métodos utilizados podem ser diferenciados entre militar, econômico ou cultural. O fim em si é sempre a derrubada do status quo, isto é, a reversão das relações de poder entre a nação imperialista e suas vitimas em potencial.

Para combater uma política imperialista temos a política de contenção que ergue uma parede como quem diz: “-Somente até aqui e nenhum passo a mais!”; o apaziguamento representa uma forma corrompida de política de acomodação (toma lá, dá cá); e a política de temor, onde a partir de um erro inicial nasce um circulo vicioso: o receio mútuo instiga a adoção de uma corrida armamentista, o receio de um lado alimenta o medo do outro, no fim, tem-se a impressão de que era correta a suposição original por evidência empírica.

A identificação de uma política imperialista é um grande problema. Pode-se supor que há imperialismo onde ele nem existe, e também pode acontecer de uma certa política transformar-se em imperialista. Ainda que se identifique a política imperialista, a modalidade em que se apresenta também necessita  ser estipulada para que haja uma contra-política adequada.

Esta claro como é difícil distinguir entre a aparência de uma política externa e sua essência real.

 

 A política de prestígio, em contraste com as atividades de manutenção e aquisição de poder, só muito raramente constitui um fim em si mesma. Sua importância na relação entre as nações é semelhante ao que o prestígio representa nas relações entre os indivíduos

Na luta pela existência e pelo poder, o que os outros pensam sobre nós se torna tão importante quanto o que somos na realidade. O propósito da política de prestígio é convencer outras nações do poder que seu país realmente possui, ou que ele acredita (ou deseja) que as demais nações suponham que ele detém.

Os instrumentos específicos que servem a esse propósito são o cerimonial diplomático e a exibição de força militar. O prestigio (reputação de dispor de poder) é ora empregado como meio de dissuasão, ora como instrumento para a guerra.

A função primária dessa política consiste no poder que tem de influenciar avaliações. Constitui, portanto, um elemento indispensável em uma política exterior que se queira racional. A política de blefe tem êxito a curto-prazo. Ela poder ser usada por necessidade, mas a nação que a usa deve exercitar-se a fim de adequar-se dentro da imagem que divulgou.

Demonstrar ao resto do mundo o poder efetivo que uma nação possui, sem revelá-lo demais ou de menos, é a missão que compete a uma política de prestígio criteriosamente concebida.

Hans Morgenthau diferencia, teoriza e delimita os caminhos que um analista de relações internacionais deve seguir e trilhar. Encontrei nesses textos argumentos fortes e a segurança que outros autores não alcançam com distinta facilidade e clareza.

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Vida às avessas (Chaplin)

Setembro 18, 2008

A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina.

Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente.

Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.

Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo.

Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar.

Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria.

Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara pra faculdade.

Você vai pro colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando….

 E termina tudo com um ótimo orgasmo!

 Não seria perfeito?

( CHARLES CHAPLIN)

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Utopia e Realidade

Setembro 16, 2008

A balança de equilíbrio entre utópicos e realistas está em constante movimento. Diferença notável entre um e outro grupo é que o primeiro acredita ser capaz de mudar a realidade por intermédio da sua vontade, ele acredita, portanto, em livre arbítrio. O realista tem uma visão determinista da realidade, não acredita ter capacidade para modifica-la. O utópico está ligado ao futuro; e enraizado ao passado encontramos os realistas. Vícios característicos de cada um: para o idealista a ingenuidade e para o realista a esterilidade.
É importante ter em mente a necessidade de estabelecer o equilíbrio entre utopia e realidade para que toda ação e pensamento humano sejam sadios. Nesse mesmo ritmo, temos de considerar como uma política científica sensata, aquela que está baseada no reconhecimento da interdependência da teoria e da prática, esta, aliás, só pode ser alcançada por meio da combinação de utopia e realidade.
Utopia e realidade também reproduzem a antítese entre radical e conservador, além daquela entre teoria e prática, acima mencionada. O que caracteriza esse ponto é que o radical é necessariamente utópico, e o conservador, realista. Outra diferença latente entre eles é que o utópico estabelece um padrão ético que proclama ser independente da política, e procura fazer com que a política adapte-se a ele. O realista não pode aceitar logicamente nenhum valor padrão, exceto o dos fatos, assim, ele alcança isto através da presunção de que não existe outro bem que não a aceitação e a compreensão da realidade.
Estamos diante de uma “eterna disputa, entre os que imaginam o mundo de modo a adaptá-lo a sua política, e os que elaboram sua política de modo a adaptá-la às realidades do mundo” (Sorel).xxx

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CURIOSIDADES DA VIDA

Setembro 15, 2008

Se fosse possível reduzir a população do mundo inteiro em uma vila de 100 pessoas, mantendo a proporção do povo existente agora no mundo, tal vila seria composta de:
- 57 asiáticos
- 21 europeus
- 14 americanos (Norte, Centro e Sul)
- 8 africanos
- 52 seriam mulheres
- 48 homens
- 70 não brancos
- 30 brancos
- 30 seriam cristãos
- 89 seriam heterossexuais
- 11 seriam homossexuais
- 6 pessoas possuiriam 59% da riqueza do mundo inteiro e todos 6 seriam dos USA.
- 80 viveriam em casas inabitáveis
- 70 seriam analfabetos
- 50 sofreriam de desnutrição
- 1 estaria para morrer
- 1 estaria para nascer
- 1 teria computador
- 1 (sim, apenas 1 teria formação universitária)
Se o mundo for considerado sob esta perspectiva, a necessidade de aceitação, compreensão e educação torna-se evidente.
Considere ainda:
a.. Se você acordou hoje mais para saudável do que para doente, você tem mais sorte que um milhão de pessoas que não verão a próxima semana.Se nunca experimentou o perigo de uma batalha, a solidão de uma prisão, ou a agonia da tortura, a dor da fome, você tem mais sorte que 500 milhões de habitantes no mundo.
b.. Se você pode ir à  igreja sem o medo de ser bombardeado, preso ou torturado, você tem mais sorte que 3 milhões de pessoas no mundo.
c.. Se você tem comida na geladeira, roupa no armário, um teto sobre sua cabeça, um lugar para dormir, considere-se mais rico que  75% dos habitantes deste mundo.
d.. Se tiver dinheiro no banco, na carteira ou um trocado em alguma parte, considere-se entre os 8% das pessoas com a melhor qualidade de vida no mundo.
e.. Se seus pais estão vivos e ainda por cima estão juntos, considere-se uma pessoa muito rara, mesmo nos USA e Canadá.
f.. Se puder ler esta mensagem, você recebeu uma dupla benção, pois alguém pensou em você e você não está entre os bilhões de pessoas que não sabem ler.
Assim, pra você, vale a pena tentar.
a.. Trabalhe como se não precisasse de dinheiro.
b.. Ame como se ninguém nunca o tivesse feito sofrer.
c.. Dance como se ninguém estivesse olhando.
d.. Cante com o se ninguém mais estivesse ouvindo.
e.. Viva como se aqui fosse o paraíso.
Envie esta mensagem a quem você considera seu amigo, ou a quem você queira desejar um dia radiante. Se não a enviar, não acontecerá nada. Porém, se enviá-la, alguém deverá sorrir ao recebê-la.